A credibilidade do governo junto à sociedade brasileira não deve ser menor do que sua incansável busca de credibilidade. Júnto à comunidade financeira internacional, diz o prof. Pedro Malan. E está certo o jovem professor. A atual crise da política econômica do governo é, antes de tudo, crise de credibilidade. Interna e externa. Aqui dentro, os empresários desconfiam dos planos governamentais e não investem mais. Os trabalhadores desconfiam da sempre anunciada queda da infância. O aval do FMI mudará a política do governo e ajudará a restaurar a credibilidade externa. Mas, e a credibilidade interna junto à sociedade brasileira como é que fica?

Credibilidade não se impõe, nem se exige. Conquista-se ou não. É não se conquista com discursos, planos, decretos ou boas intenções. Conquista-se com fatos e com pessoas. Com ou sem reforma ministerial, o governo Figueiredo enfrentará no início do novo ano importante desafio: como, dentro dos limites impostos pelo FMI, reorientar sua política econômica para reconquistar a credibilidade junto ao cidadão brasileiro, junto ao empresário, o trabalhador civil, militar e religioso.

A busca da credibilidade interna exige
identificar logo os faíssos dilemas que, aprisionam a atual situação econômica. O
ministro Hélio Beltrão já iniciou esta tarefa. Não se trata de ou exportar ou desenvolver o
mercado interno. Trata-se de desenhar uma política que incentive a exportação e desenvolva o mercado interno. Não se trata de ou conter os gastos públicos ou desenvolver a área social: educação, saúde e previdência. Trata-se de cortar despesas e gastos desnecessários, do Inamps, por exemplo, e continuar a oferecer a assistência médica hospitalar, em padrões mínimos de decência, pois esta é uma necessidade real e imediata da maioria da população brasileira. Não se trata de ou investir em infra-estrutura e grandes projetos ou ajudar o pequeno e médio empresário. Trata-se de evitar o desperdiço evidente dos atuais grandes projetos, e apoiar o Brasil dos pequenos e médicos também. Esta proposta de Beltrão tem o mérito de permitir uma política econômica que não viva da exclusão da maioria dos cidadãos brasileiros. Tem mais: tem o mérito de trazer para a área econômica a pretensão do presidente Figueiredo, já demonstrada na área política através das eleições: promover a abertura. De resto, Beltrão foi muito claro na defesa concreta de sua proposta: “Com o Fundo ou sem o Fundo eu (Jela-se o Ministério da Previdência) não vou sofrer nenhum corte.”

(Joaquim Falcão)

_Recife, 23/12/1982_