A possibilidade de vitória de Leonel Britzola no Rio e a probabilidade de reforma partidária depois de 15 de novembro (desaparecendo uns partidos e surgindo outros) chamam necessaríamente atenção sobre o PDT dos demais Estados. Em Pernambuco, diante da proibição das coligações partidárias, a opção do PDT foi clara. Proibida a coligação de direito, realizou a coligação de fato. O PDT não concorre às eleições. Apóia o PMDB de Marcos Freire. Para se entender esta decisão drástica, duas considerações devem logo ser feitas. Primeiro, como afirma o líder do PDT local, Armando Monteiro Filho, ex-ministro parlamentarista de João Goulart, fundador do antigo MDB e vitorioso empresário pernambucano, o principal é vencer o regime. Este objetivo deve se impor a todos os demais. E vencê-lo legitivamente. Segundo, a opção de apresentar candidatos sem chance de serem eleitos não asseguraria a existência futura do PDT, muito menos contribuíria para vencer o regime.
A uma altura desta do campeonato eleitoral, os fatos começam a dar razão ao PDT. O PT e o PTB, que optaram por apresentar candidatos próprios, dificilmente conseguirão eleger um deputado federal. Provavelmente não elegerão nenhum prefeito. Muito menos pode-se dizer hoje que a campanha eleitoral serviu para aumentar as bases destes dois partidos. A existência de ambos em Pernambuco vai depender muito mais do desempenho nacional do que do desempenho local.
A estratégia da coligação de fato só momentaneamente retira o PDT da cena política. O PDT tem candidatos. Em Olinda, por exemplo, seu principal líder, Andrade Lima, impedido de concorrer para prefeito, apóla Roberto França, do PMDB. Se considerarmos que não são apenas os cargos eleitos que estão em disputa em novembro, mas também os cargos dos executivos estaduais e municipais, o PDT terá trocado a perspectiva de não eleger nenhum deputado federal pela possibilidade de participar da administração do Executivo estadual e de diversos executivos municipais. No caso de vitória do PMDB, é lógico. Ainda que Armando Monteiro Filho insistentemente se recuse a considerar o assunto, seu nome é lido, ao lado de Jarbas Vasconcelos, como provável prefeito do Recife.
Em caso de vitória do PMDB, o PDT pernambucano terá escapado de chegar com mãos vazias à grande mesa de negociação nacional depois de 15 de novembro. Tem hoje a possibilidade concreta de vir a ter seu partido fortalecido no Executivo, embora ausente do Legislativo. Tendo ainda se credenciado junto ao eleitorado de oposição como um partido decidido a vencer o regime, reforçando a liderança nacional que Brizola, se eleito, terá legitimamente reconquistado.
[ASSINATURA NÃO DETECTADA]
_17/10/1982_