No seminário sobre os empresários e os partidos políticos, realizado no Recife, foi perguntado ao presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco, Antônio Carlos Brito Maciel, qual a posição dos empresários em relação ao PT, uma vez que já é pública e notória a opinião pouco lisonjeira do PT em relação aos empresários pernambucanos. Maciel, depois de reconhecer a validade do pluripartidarismo, assim como o fato de os empresários terem suas preferências partidárias, afirmou que os empresários não podiam, no momento, reconhecer o PT como o partido dos trabalhadores e, como tal, eventual interlocutor privilegiado, na medida em que o partido não representava de fato a classe trabalhadora. Citou inclusivos diversas pesquisas indicando que eleitoralmente o PT é estatisticamente inexpressivo. Maciel tocou exatamente no principal problema com que o PT se defronta aqui no Estado: a distância entre a sua pretensão de representatividade e a sua realidade eleitoral. Ao contrário do que se poderia esperar, a campanha eleitoral não tem contribuído para ampliar as bases trabalhadoras do PT. Mesmo levando em consideração sua estratégia de médio e longo prazo, e o entendimento de que mais importante do que cargos em disputa é a divulgação da mensagem e o fortalecimento da organização. particularia.

Este problema é tanto maior quando se sabe que o País tem simbolicamente dois Estados vitais para qualquer equacionamento da participação política dos trabalhadores.

São Paulo, na medida em que é o Estado do operário industrial, do trabalhador urbano, e Fernambuco, na medida em que é o Estado do campones, do trabalhador rural. Diversos motivos podem explicar este, até agora, in-sucesso do PT. Um deles com certeza estará na tática eleitoral utilizada. O PDT, de Brizola, aqui comandado por Armando Monteiro Filho, reconheceu a tempo o beco sem saída a que a obrigatoriedade de apresentar chapa eleitoral sem qualquer possibilidade de vitória necessariamente levaria o partido, sua mensagem e sua estrutura. Não participa das eleitoes. Após o PMDB, numa eleito sobretudo, plebiscitária. O PT não. Correu o risco. Lançou sua chapa. Ao fazê-lo, apresentou para concorrer aos principais cargos majoritários candidatos merecedores do respeito de todos, pela coerência política e pelo passado de lutas em favor da classe trabalhadora. Mas candidatos sem maior vinculação e experiência com as lutas dos trabalhadores, especificamente de Pernambuco, Evidentemente a atual situação eleitoral do PT poderá ainda mudar. Mas é pouco provável, na medida em que as posições tendem a se polarizar entre governo e oposição. Resta saber se a incapacidade do PT ser representativo dos interesses dos trabalhadores per-nambucanos, sobretudo dos camponesse, afetará a sua pretensão nacional.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_26/09/1982_