Quando o general Ludwig foi indicado ministro da Educação, não foram poucos os que da imprensa se mostraram apreensivos com um militar interferindo em área sagradamente de clivis. Com a ida de Ludwig para a Casa Militar, não foram poucos os que da imprensa fizeram uma avaliação positiva de sua gestão no MEC. O País teve assim oportunidade concreta de se livrar de dois estereótipos que vivem a controlar as relações entre governo e sociedade. Nem os militares são necessariamente cidadãos insensíveis ao trato democrático dos problemas de educação e cultura. Nem a imprensa é necessariamente apenas contra o governo. Na avaliação positiva que a imprensa fez da gestão Ludwig, a força do aplauso reside na independência da crítica.

Que o problema da educação e cultura é um problema político estamos todos cansados de saber. O próprio ministro Ludwig geriu politicamente tanto a vitoriosa deíesa de mais verbas para a educação quanto a inconclusa situação da UNE. Porém o que a gestão Ludwig revela é que o problema político não pode ser equacionado sem o

MEC enfrentar também duas outras questões: a reforma administrativa e a participação social nas decisões educacionais e culturais.

Sem competência e modernidade administração o MEC era prisioneiro de soluções nunca ou, pelo menos, mal implementadas. Agora não. Sua estrutura general está mais ágil e é capaz de implementar suas decisões políticas. O principal responsável por isto é o atual secretário-geral Sérgio Pasquali, que deu ao cargo uma eficiência nunca antes experimentada. Sem a participação de professores, estudantes, artistas, escritores e intelectuais não se resolvem os problemas de educação e cultura. Por mais racional que a decisão do MEC possa parecer, e por melhor aparelhado esteja o MEC, a busca da modernização administrativa e da abertura ao diálogo com a sociedade são as marcas da gestão Ludwig-Pasquali. Com a palavra agora dona Ester,

(Joaquim Falcão)

_26/08/1982_