No debate da TV Globo entre os candidatos ao governo de Pernambuco, o Ibope deu 51% das preferências dos telespectadores para Marcos Freire (PMDB). Maloria absoluta. Em segundo lugar ficou Roberto Magalhães (PDS), com 24%. Considerando que estes são os candidatos mais fortes, a diferença entre Marcos e Roberto é a maior já registrada no Pais em debate de televisão. Os pontos de vista conflitantes foram mantidos num nível civilizado de discussão. Sem agressões pessoais mútuas. Mas o debate foi importante porque começou a definir os temas da campanha. Em torno dos quais a luta pelo voto do eleitor vai desenvolver-se. Por aqui, estes temas serão pelo menos três. Primeiro, a avaliação do governo Marco Maciel — Pernambuco é o único Estado do Brasil onde a administração anterior do PDS está em julgamento, candidatando-se a cargos majoritários. Segundo, a crise econômica do País e seus reflexos no bolso e na mesa do eleitor. Terceiro, a questão do Nordeste é de suas relações com Brasília.
O discurso por vezes udenista do PMDB, em favor da reforma democrática das instituições republicanas, começa a ceder terreno a temas mais terra-a-terra. Não que a reforma institucional não seja importante. Certamente é. Mas não capta o interesse imediato do eleitor. Questões sobre tortura política, militares na política, segurança nacional, prerrogativas do Legislativo. Constituinte, saem, momentaneamente, de cena. Cedem vez e palco às questões sobre competência administrativa, corrupção, desemprego, salário achatado, posse de terra, etc.
No debate, Freire acusou o governo de corrupção administrativa, de nomeação de doze mil pessoas nos últimos dias com fins eleitorais, de desperdiçar recursos públicos com obras que não funcionam. E sobretudo de ter provocado uma queda de produção industrial de Pernambuco maior do que a brasileira. Magalhães optou por enfatizar o seu desempenho pessoal como secretário de Educação do governo Nilo Coelho e como vice-governador que assumiu o governo 82 vezes durante a gestão de Maciel. O que lhe confere a experiência administrativa que Freire não teria.
Ficaram claros os esforços do candidato do PDS em não dar relevo aos problemas administrativos do governo Maciel e de tratar a crise econômica do Pais como uma crise acima dos partidos. Não é por menos que o próprio Magalhães afirma que seu maior adversário não são as oposições, mas a situação econômica do Pais. E este é o problema crucial do PDS: como se apresentar diante do eleitor como não responsável pela crise econômica que está al.
Dízer que a crise é internacional é argumento muito sofisticado para o eleitor médio. E é sobretudo dizer também que o governo pode muito pouco diante da crise. Quase nada. Freire explorou justamente o contrário. Sem prometer milagres. O debate val prosseguir.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 19/08/1982_