Nos últimos dois meses, uma série de fatos fez crescer o PDS em Pernambuco: a candidatura de Roberto Magalhães, as disputas internas do PMDB em torno de Cld Sampaio e a decisão de Marco Maciel concorrer ao Senado. Estes fatos foram muito bem explorados e veiculados pelo governo. Tanto em Pernambuco, quanto em Brasília e no sul do Pals. O resultado foi que todos começaram a ter cautela com a previsão que dava Marcos Freire governador eleito de Pernambuco. Sua vitória, de certa, passou a ser incerta. Estes fatos são importantes. Não há dúvidas. Mas as possibilidades reais do PDS dependem basicamente de dois outros fatores. Primeiro, da possibilidade de manter seu eleitorado no Interior, e avançar no eleitorado oposicionista do Grande Recife. Segundo; da possibilidade de a vinculação municipalizar as eleições, garantindo votos pró-governo. Ora, os últimos dados disponíveis indicam claramente que hoje estes dois fatores apontam justamente a vitória de Freire.

O avanço do PDS no Grande Recife é real. Mas é apenas parte de um problema maior. Para ter sucesso o governo necessita manter os votos da ex-Arena no Interior. O que não está conseguindo. Nas eleições municipais de 1976, por exemplo, o PMDB só concorreu com 112 candidatos a prefeito em 76 muniópios. -Hoje, a situação é radicalmente diferente. O PMDB vai concorrer em 146 muniópios, e já lançou mais de 220 candidatos a prefeito. Este trabalho, feito em surdina por Jarbas Vasconcelos, vai beneficiar PMDB. Allás. Já beneficia. O comício de

Marcos e Cid em Garanhuns teve a presença de cerca de dez mil pessoas, mais do que os comícios do governo. O avanço do PMDB no Interior (no sertão por exemplo), com o apolo de Cid Sampaio, é hoje provavelmente maior do que o avanço do PDS no Grande Recife.

O mais importante, no entanto, é a vinculação de votos. Quem puxa a chapa: o prefeito ou o governador? Até há pouco qualquer previsão era difícil. Com as candidaturas na rua, porém, já se podem fazer pesquisas de opinião que testem os efeitos da vinculação. A última pesquisa de opinião, abrangendo as oito microrregiões do Estado, incluindo cinquenta cidades, fez a seguinte pergunta ao eleitor: “Se seu candidato a prefeito for de um partido, e seu candidato a governador for de outro partido, por qual o sr. se decidirá a votar, pelo candidato a prefeito ou pelo candidato a governador? O resultado é claro: 11,9% não sabem, 34,9% votariam no prefeito e uma nítida maioria de 53,2% votaria no governador. Quer dizer, a vinculação, em vez de municipalizar, na verdade está estadualizando as eleições. Na medida em que Marcos Freire é apontado em todas as pesquisas como o candidato de maior preferência, o tiro da vinculação poderá sair pela culatra. Consolidará uma maior vitória do PMDB. É o que os dados estão mostrando hoje.

(Joaquim Falcão)

_08/08/1982_