A candidatura de Marco Maciel é dupla. Concorre ao Senado pelo PDS de Pernambuco agora em novembro. Concorre a vice-presidente, quiçá presidente da República, em 1984. A primeira candidatura já foi lançada oficialmente no Palácio das Princesas aqui no Recife. A segunda evidentemente ainda não foi lançada, mas já foi cogitada. Foi cogitada nos tempos de Golberl. Volta a ser agora, nos tempos de Leitão de Abreu. O professor Roberto Magalhães, candidato do PDS a governador de Pernambuco, por exemplo, afirma-se a favor das eleições diretas para todos os nívels do governo, inclusive para presidente da República. Exceto se eleição indireta for caminho para eleger um nordestino. Não se trata provavelmente de Antônio Carlos Magalhães. Trata-se de Marco Maciel. O professor Magalhães não esconde que um dos seus principals compromissos políticos, se eleito, é apolar Maciel nas presidenciais de 84.

A possibilidade de o Nordeste influenciar a chapa oficial de 84 não está longe. No passado, o sistema indicava sozinho o presidente e o vice-presidente. Neste contexto, nomes do Sul tinham maior força. Mas se admitirmos quer a hipótese de eleição direta para presidente, quer uma eleição indireta que exija um mínimo de negociação entre o sistema militar e o Congresso através do PDS, o Norte e o Nordeste vão pesar. É que os votos do governo em novembro vão vir sobretudo daqui de cima. A representação nor
te-nordestina de deputados e senadores na bancada do PDS do próximo Congresso será muito forte. A candidatura de Maciel surgirá então normalmente. E um nordestino nacional e de absoluta confiança do regime. Com pelo menos duas vantagens sobre Antônio Carlos Magalhães. Representa uma nova geração de políticos do governo. E extremamente hábil na negociação política, optando sempre pelo silêncio seguro, e nunca pela publicidade arriscada.

Seu desempenho como governador de Pernambuco o elege como um bem-sucedido político administrador do regime. Dlanto desta crise insolúvel a que a política econômica oficial levou o Pals, administrador bem-sucedido é quem administra os conflitos sociais permanentes e latentes. É irrelevante saber se a culpa pela crise econômica atual de Pernambuco é de Maciel ou de Brasília. Importa é constatar que dentro dela Maciel distensionou o Estado. Distensionou politicamente os conflitos sociais que surgiram.

Esta habilidade é um cacife que agrada ao sistema e que com certeza vai contar em 84. Tudo dependerá, porém, do que acontecer em novembro com sua candidatura ao Senado.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 29/07/1982_