Com a decisão de Marco Maclei, de concorrer ao Senado, e a escolha de Fernando Coelho para vice de Marcos Freire, ambos os lados estão prontos para as eleições de novembro. Pelo PDS, concorrem Roberto Magalhães e Gustavo Krause para governador e vice, além de Maclei para o Senado. Pelo PMDB, Marcos Freire, Fernando Coelho para vice, e Cld Sampaio para o Senado. De modo que, vago mesmo, em ambos os lados, está apenas o importante cargo de prefeito do Recife. Até hoje, com eleições indiretas para governador, a indicação dos prefeitos das capitais pode se dar ao luxo de privilegiar apenas as qualidades técnicas dos indicados. Daqui pra frente, com a eleição direta, além da qualificação técnica, o prefeito terá que ser um nome politicamente viável. Fácil prever: o prefeito da Capital de amanhã será o candidato natural a governador de depois de amanhã. Os motivos são, pelo menos, dois. Primeiro, o prefeito será o político de contacto direto com o maior número de eleitores. Segundo, a Capital do Estado é o centro urbano de maior presença nos meios de comunicação. O prefeito terá garantida sua presença, positiva ou negativa, nos grandes meios de comunicação do Brasil.

Difficil neste momento é vislumbrar os prováveis candidatos. No entanto, um esforço de análise pode identificar no lado do PDS dois núcleos distintos de candidatos. Os que enfatizam o aspecto técnico (mas que têm também força política), como o secretário de Transportes Antão Luís de Melo, o economista do Ministério do Interior Roberto Cavalcanti, ou o atual prefeito Jorge Cavalcanti. Os que enfatizam a composição política, como Juel de Holanda, ex-secretário de Educação e candidato a deputado estadual, e o empresário e ex-prefeito An-
tônio Faria. Do lado do PMDB, o candidato natural é Jarbas Vasconcelos. Nó entanto, a composição política poderá indicar o empresário Armando Monteiro Filho, do PDT.
composição política poderá indicar o empresário Armando Monteiro Filho, do PDT.

O futuro prefeito do Recife encontrará a Prefeitura em situação privilegiada em relação às demais capitais brasileiras. O Banco Mundial acaba de conceder um financiamento de 123 milhões de dólares à região metropolitana do Recife. Dólares para investimentos em infra-estrutura local (recuperação de favelas, recuperação da margem do Capíbaribe), em infra-estrutura metropolitana (desenvolvimento de sistemas viários e um conjunto habitacional de 4.500 unidades), em promoção de emprego e renda (apolo à pequena média empresas e desenvolvimento de postos intermediários de empregos) e em aperfeiçoamento de gestão metropolitana (apolo técnico aos órgãos municipais). Este projeto, concebido e negociado pelo ex-secretário de Planejamento, Luis Otsvilo Melo Cavalcanti, representará cerca de 50% dos investimentos totais da Prefeitura até 1988. Desnecessário imaginar o impacto político do bom uso destes dólares. O projeto está orientado para investimentos em desenvolvimento social. Exatamente onde os votos são abundantes e preciosos. Se o País conseguir institucionalizar a eleição direta, deputado e senador vão ser políticos mais influentes. Mas, se quem manda é quem nomeia, quem demite e quem investe, quem vai mandar mesmo é o prefeito da Capital. A escolha do prefeito do Recife é também a escolha do candidato natural a governador do Estado para 1988.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 15/07/1982_