Na gangorra oficial da sucessão presidencial estão na alta: Costa Cavalcanti (que pretende reunir em sua festa Gelsel, Médici e Figueiredo), Paulo Maluf (que instala em Brasília seu escritório “eleitoral”) e Andreaza (que ganhou com Eliseu Resende e segura a barra de Jair Soares). Estão na balxa: Aureliano Chaves (que se complicou em Minas), Delfim Neto (pela insatisfação geral com a inflação e o Finsocial) e Jarbas Passarinho (que tem no Pará seu calcanhar de-aquiles, além de não conseguir vender sua idéia de Constituinte), Estão aguardando vez; Leitão de Abreu (que a cada dia ampla sua presença política no Planalto), Ótávio Medelros (tentando neutralizar a oposição golberiana), Coelho Neto (consolidando sua liderança numa importante ala do Exército), Délio de Matos (posicionando-se como militar estadista) e Rubem Ludwig (tocando civilmente seu barco da Educação).

Ao contrário do que possa desconfiar o leitor, a vitória não dependerá apenas do esforço, qualidade e alianças palacianas dos candidatos. Antes de escolher nomes, o regime sofrerá a influência de pelo menos três fatores: o sistema militar, as eleições de novém, o e a conjuntura nacional.

O sistema militar terá que decidir duas questões fundamentais. Primeiro, se a sucessão será ainda militar, ou já civil. E notório que importante facção militar defende uma sucessão civil. Segundo, se a opção
for militar, manterá a comunidade de informações seu atual monopólio, ou a sucessão estará aberta a outros setores, inclusive Marinha e Aeronáutica?

Dependendo das eleições de novembro, a escolha do Presidente poderá ser direta, ou indireta, se o PDS mantiver maioria no Congresso. Já a reformulação partidária poderá decidir alianças parlamentares beneficiando este ou aquele candidatável.

A conjuntura internacional influenciará também na escolha do candidato oficial. A situação do Cone Sul, sobretudo da Argentina, exigirá por exemplo a reformulação da doutrina de segurança nacional. O que poderá favorecer ou não uma candidatura militar ou anfíbia. Já o crescente controle dos estrangeiros sobre nossa economia, controle que contribuí para o Insucesso no combate à inflação e ao desemprego, pode viabilizar candidaturas mais nacionalistas.

Além desses complicadores todos, acres-
cam mais um: as oposições. De comporta-
mento imprevisível e com pouco poder de
barganha, estão sempre a influenciar, direta
ou indiretamente, as decisões do regime. O
valvém e o sobe-e-desce desta gangorra
presidenciável mal começou.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 06/06/1982_