Primelro foram vozes isoladas. Um prefeito aqui, um deputado acolá. Em seguida, foi o candidato do PDS, Roberto Magalhães, afirmando que gostaria de ter Marco Maciel concorrendo ao Senado. Depois, foi o candidato ao Senado e prefeito de Jaboatão, Geraldo Melo, que retirou sua candidatura. Agora, foi a vez do governador José Ramos defender a indicação de Maciel para o Senado. Apesar de tudo, Maciel resiste. Publicamente, não se decidiu. Nem sim nem não. Na verdade, uma das artes na política é saber manejar o tempo das decisões. Pressentir quando o tempo está maduro para a decisão. Esta arte, Maciel a prática muito bem. E, por prática-la, tudo indica que sua decisão deverá ainda tardar.
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Se considerarmos apenas a problemática do PDS de Pernambuco, Maciel não tem escapatória. Se adotado o mesmo princípio que orientou a escolha de Roberto Magalhães — ouvir as bases — sua candidatura é inevitável.
Não somente porque reforça o PDS, mas porque as pesquisas eleitorais feitas na região metropolitana do Recife indicam hoje que o PDS está com quatro ou cinco pontos além do que necessitaria para vencer o PMDB. Não haveria risco na candidatura Maciel. Ela apenas ajudaria a consolidar a tendência do eleitorado. O problema é que faltam mais de quatro meses para as eleições. O PMDB sabidamente passa por fase ruim, de disputas internas. Fase que deverá ser superada quando a campanha estiver
nas ruas. Ou seja, a tendência eleitoral de hoje pode não ser a de amanhã.
A candidatura Maciel não depende apenas do PDS local. Depende de articulação entre os interesses locais e a sucessão presidencial. No tempo de Golberi, Maciel estava entre as três possíveis opções civis para presidente da República. Hoje, a sucessão presidencial está menos controlável. Nem por isto Maciel deixou de ser pelo menos vice-presidenciável. Para tanto, o posto de senador é quase um luxo. Basta-lhe o de deputado eleito, se possível com mais votos que Miguel Arraes. Se assim é, dificilmente o Planalto correrá o risco de queimar, em eleição majoritária local, um de seus principais quadros nacionais. Díria então o leitor; o Planalto como uma entidade única não existe. O que existe são diversos grupos dentro do Planalto disputando a sucessão. Para um desses grupos, talvez seja bom que Maciel saia arranhado nas eleições pernam-bucanas.
Esta hipótese é provável. Mas não se aplica. Maciel é bom na arte de esperar. E a prudência, no caso, aconselha esperar que clarele o tempo eleitoral aqui em Pernambuco e sobretudo clarele o tempo sucessório no Planalto. A decisão provavelmente só será tomada em tempo claro. Pela lei, Maciel tem até agosto para decidir.
(Joaquim Falcão)
_03/06/1982_