No tabuleiro das candidaturas, nem o PDS nem o PMDB de Pernambuco colocaram seus senadores em jogo. A movimentação é intensa nos bastidores, mas pouca coisa chega à luz do dia. Tudo indica que as decisões não estão maduras. Os partidos ainda não decidiram se usam ou não a sublegenda. O PDS, diz-se estar de tocala. Aguarda a escolha do PMDB. Na prateleira dos candidatos, o PDS tem antídoto para qualquer adversário: Marco Maciel, Ricardo Flúza, Geraldo Guedes, o prefeito de Jaboatão, Geraldo Melo, e outros. A decisão do PMDB no entanto deverá tardar. Até a convencção de incorporação PMDB/PP, o mais provável era Fernando Coelho, presidente estadual do partido, parlamentar experimentado com sólida reputação nacional. Contra seu nome havia o de Sérgio Murillo, oriundo do PP, deputado combativo, de eleitores fiéis, mas cujo maior cacife político agora é a possibilidade de ficar ou não no PMDB. Na convenção, Jarbas Vasconcelos lançou um outro nome: o do deputado Fernando Lyra.

Desde 1978, dentre os deputados federais do PMDB, Lyra é o candidato natural ao Senado. Com base eleitoral em Caruaru, ideologicamente independente, bom de palanque e de televisão, Lyra em 78 não foi candidato por problemas de saúde. Agora hesita-va em se apresentar por causa da chantagem em Brasília que envolveu seu nome.

O lançamento de sua candidatura partiu da constatação de que a chantagem estava conseguindo seus objetivos: amedrontar o PMDB e neutralizar um de seus melhores nomes. Ao entrar no tabuleiro das candidaturas, Lyra tem certeza de que o PDS local, pela qualidade de seus membros, não usará o episódio de Brasília como arma eleitoral. De resto, o presidente Figueiredo tem reiterado sua disposição de desenvolver campanha eleitoral de nível elevado. Mas Lyra espera mais do que isto. Espera que o governo impeça o uso da chantagem como arma eleitoral. Lyra defende o direito de não ser chantageado. A omissão do governo, qualquer que seja o motivo, favorecerá evidentemente o PDS. Sua candidatura é pra valer. Jogará o jogo conforme as regras.

No momento todos os candidatos – Coelho, Lyra e Sérgio Murilo, — defendem uma opção que favoreça a unidade partidária. Se não for possível, é provável que calba à convenção decidir. O que, ao contrário do que à primeira vista possa significar, não é demérito ou desgaste algum para qualquer partido. Unidade partidária não se constrói apenas com consensus apriorísticos; o consenso comprado ou o consenso amuado. Aquele fruto da distribuição antecipada de cargos e empréstimos oficiais. Este obtido forçando os demais pretendentes a engolirem a seco. um candidato escolhido autocraticamente. A unidade partidária, na democracia, funda-se na possibilidade de todos poderem disputar as convenções e acatarem democraticamente seus resultados.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_Recife, 29/04/1982_