Em Pernambuco, a política vai bem ímas a economia vai mal. Vão mal empresários e trabalhadores. Do lado dos empresários, reclamam todos. A área colhida de cana-de-açúcar aumentou quase 50% de 75 a 81, mas a produtividade (t/ha) calu de 48 para 46,1. As usinas, umas já pararam em dezembro, outras param agora. A seca acabou com a cana. Haverá diminução de cerca de 20 por cento na produção, com queda de fatura-mento estimada em dez bilhões. Reclamam também os empresários da indústria de óleos vegetais. A seca roubou-lhes matéria-prima — algodão, mamona, oitícica e babaqu. Exaustos, já não reclamam mais os empresários da indústria têxtil. Despedem empregados, desativam setores e colocam fábricas à venda.
Por trás das dificuldades específicas de cada setor, todos se encontram no problema comum. Para superar dificuldades que acreditam circunstanciais, endividaram-se. O remédio foi pior do que a doença. A taxa de juros ajudou a tornar permanente a dificuldade circunstancial. Do lado dos trabalhadores, o desemprego continua a crescer e o setor informal (desemprego disfarçado) já ultrapassa os 20 por cento na região metropolitana do Recife. No sertão, a seca castiga todos. Na Zona da Mata e no Agreste a expansão da área plantada de cana destrói
culturas de subsistência e obriga os cam-
poneses a viverem de felmoisa.
O quadro global da crise da economia estadual foi descrito pelo líder do PMDB, Sérgio Longman, na abertura dos trabalhos da Assembléia Estadual. O PIB estadual caiu de 9,4 em 1977, para 1,8 em 1979. A produção agropecuária de 2,9 em 1977 para menos de 1,79 em 1979. A da indústria de transformação de 6,3% em 1977 para 3,4% em 1979. E por aí vai.
Esta situação repercute pouco em Brasília, por vários motivos. Primeiro, porque quanto mais fraco fica o Estado, menos influência tem na política econômica federal. Segundo, porque a crise estadual afeta muito pouco a prioridade maior do governo: o balanço de pagamentos. E melhor tocar projetos que tragam, a curto prazo, preciosos dólares (Italpu, Carajás etc). Finalmente, porque até agora se conseguiu manter separadas a crise econômica estadual e as manifestações políticas. E para novembro de 1982, a estratégia nordestina de Brasília já está traçada: uma ponte aqui, uma cachimba ali e uma vicinal acola.
(Joaquim Falcão)
_18/03/1982_