Em 1950, Pernambuco era responsável por cerca de 5% da produção industrial do Pais. Em 1975, mal se responsabilizou por 2,5%, indice que deve ter caldo ainda mais nestes últimos seis anos. Em 1950, respondia por cerca de 47% da produção industrial do Nordeste. Em 1975, respondeu por apenas 38%. Sua principal indústrias — açucareira e textil — estão em quase crise. As usinas, grande parte delas, estão castigadas pela prolongada seca que lhes rouba matéria-prima. As fábricas têxteis estão em crise pré-agônica. Não conseguiram competir com a indústria têxtil do Sul, inclusive com as multinacionais, e estão amargando o resultado de contínuos erros na política do plantão do algodão, com a sufocante taxa de tiros. Como Pernambuco vai sair desta situação, é a pergunta que os empresários estão fazendo aos candidatos a governador. A resposta não é fácil e terá de vir já, em forma de plano de governo.

Parece claro que os próximos planos terão oite considerar, entre outros, dois aspectos principais. Primeiro, já é tempo de estes planos oficials colocarem os pés no chão. Os planos anteriores, de Moura Cavalcanti e de Marco Maciel, trabalharam muito com propostas de escala nacional. Previam para Pernambuco diversos pólos industriais, como se fossem a salvação de todos. Era pólo petroquímico, pólo de fertilizantes, pólo de material elétrico, de indústrias de base e por al afora.

“Disto tudo, concretizou-se apenas, e a duras penas, o complexo portuário de Suape. Previsto como complexo industrial e por-
tuário de escala regional e nacional, val amargando a dura realidade de ser construído com recursos estaduais e endividamento externo.

O segundo aspecto é menos econômico e mais político. A pequena importância nacional do Estado torna suas pretensões irrelevantes junto a Brasília. O empresariado pernambucano não tem quase poder de fogo junto à Seplan. Basta ver que nestes tempos todos, Delfim Neto só veio por aqui uma ou duas vezes. Basta ver o desprezo olímpico de Brasília com a crise da Indústria têxtil.

Propor medidas de pés no chão, abandonando a utopia da escala regional, e conseguir que estas medidas sejam politicamente fortes junto ao governo federal, é o desafio principal que os planos econômicos dos candidatos terão de enfrentar.

Com eleição direta, o apoio que o governador precisa para governar vem do voto e não de sua capacidade de formular planos utópicos. Com isto Pernambuco deverá ter planos mais realistas. Quanto mais não seja, porque o empresariado e o povo sabem muito bem que os planos utópicos foram incapazes de evitar a crise atual da economia do Estado.

Image

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_14/03/1982_