Qualquer previsão é mero palpite. Não dá mais nem para pesquisar. O próprio Gallup já suspendeu suas pesquisas eleitorais, até que as regras do jogo sejam definidas. Fácil pois perceber as dificuldades do governo para adotar novos casuísmos. Casuísmo hoje é tiro no escuro. Será muito mais resultado de pressão de gabinete ou de interesses intrapalacianos do que uma avaliação suficientemente fundamentalmentada da tendência do eleitorado. O casuísmo não está mais garantindo a vitória de ninguém. Veja-se, por exemplo, o casuísmo em moda esta semana: atribuir ao partido majoritário as sobras dos votos dos demais partidos. Casuísmo tipo Agamenon Magalhães de 45. Ora, foi justamente esta lei que em 1947 deu ao Partido Comunista, então na ilegalidade, mas participante através do manto diafano do PSF, 12 das 25 cadeiras da Câmara Municipal do Recife. Ou seja, casuísmo é tiro no escuro que pode sair pela culatra. Donde o melhor mesmo é fazer campanha. Começar logo a temporada eleitoral. Que aliás começou com a visita de João Figueiredo a Pernambuco.

A escolha de Pernambuco para começar a campanha justificar-se por vários motivos. Com a ausência de Brizola no Sul e consolidação do Cone Sul, o Rio Grande do Sul naquele Estado que carece dos maiores民志, segundo a doutrina de segurança, Hojecquem, carece é o Nordeste. Naosépalma, a social ainda explosiva, como por sentir fúricamente, berco de líderes populares. Pernambuco, não sendo Estado de metalúrgicos, é da camponesse.

Com um Miguel Arrages mantém incólume
seu prestígio junto ao trabalhador do campo há motivo para permanente preocupação oficial. Além do mais, Pernambuco tem um candidato oposicionista forte — Marcos Freire — e um de seus governadores com maior índice de apoio popular nas pesquisas: Marco Maciel.

O programa da visita foi eleitoralmente impecável. O Presidente esteve no Recife e no interior. Com os políticos do PDS (consolidando a candidatura Roberto Magalhães), com técnicos e ouvindo os pedidos de empresários. Inscreveu o balão de Luís Gonzaga no PDS. Esteve com o eleitor na rua, no palanque e na televisão. Os pernambucanos assistiram no horário nobre ao Presidente desfilar o rosário de obras sociais feitas por aqui pelo governo. Se não chegou a pedir diretamente o voto do telespectador, pelo menos pediu o apoio. De quebra, propôs uma campanha eleitoral de alto nível, que já teve o apoio da oposição. O Recife estava inundado de cartazes e faixas com os dizeres: “Bom dia, Presidente: o próximo governador é Marcos Freire”.

A visita a Pernambuco terá com certeza reforçado junto ao Presidente outros caminhos que não os casuímos. E terá com certeza alertado as oposições para a capacidade de mobilização da máquina oficial e dos melos de comunicação na disputa do precioso voto.

(Joaquim Falcão)

_07/03/1982_