Em novembro de 1982, entre 15 e 28% dos eleitores serão jovens que votarão pela primeira vez. Esta proporção é extremamente alta devido à expansão demográfica da década de 50. Hoje, nossa população cresce menos rapidamente. A taxa de crescimento deve estar por volta de 2,4%. Mas na década de 50, esta taxa esteve acima dos 3%. Se, como tudo indica, as eleições serão disputadas palmo a palmo, o voto jovem decidirá a vida de muito candidato e assegurará a sobrevivência de muitos partidos. O problema que se coloca é que, como os jovens nunca votaram antes, qualquer previsão é difícil. Pode-se no entanto vislumbrar alguns fatores que certamente influenciando na hora de escolher a chapa.

Num Pals onde, como bem lembra o prof. Amauri de Sousa, do Iuperj, o nível de informação política do eleitor é extremamente baixo (nas eleições de 78, em certas localidades, mais de 40% da população desconheciam o nome do presidente da República), o jovem não escapa à regra. E de se prever, por exemplo, que a informação que realmente contará é a que se obtém pela experiência pessoal do eleitor. Quanto mais não seja, porque a Lei Falcão está a para is-to mesmo; obrigar o eleitor a se informar por outros caminhos que não os meios de comunicação. Neste sentido, para a grande maioria do eleitor jovem, a Revolução de 64 não quer dizer muita coisa. Falar de comunismo ou anticomunismo, de sequestros ou subversão, de compromissos geopolíticos com o Ocidente cristão e capitalista, por um lado ainda ocupa muito espaço nos discursos
de governo e oposição, mas por outro diz muito pouco respeito ao jovem. O que contará mesmo é a vida vívida. E esta estará controlada por dois fatores: a educação e o desemprego.

O jovem de hoje é mais alfabetizado e instruído do que o de ontem. Tem maior autonomia de decisão. O voto jovem urbano será certamente influenciado pela experiência universitária e pela experiência do ensino técnico. Experiências muito mais próximas da frustração do que da empolgação. Ainda mais quando se alia a má qualidade do ensino à perspectiva da universidade paga. A associação juventude e educação, nas cidades, poderá desaguar um voto oposicionista.

Outro fator é o desemprego. O Brasil não foge à regra. Em todo país do mundo, o desemprego começa pelo jovem que está entrando no mercado de trabalho. Esta realidade é evidente, queiram ou não as estatísticas oficiais. Com a responsabilidade que advém do fato de que em cada dez formados um será advogado, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Bernardo Cabral, já foi o ministro da Educação propor o controle das vagas anualmente oferecidas pelas faculdades da Direção. O voto jovem vai pesar. E até agora, nenhum dos partidos apresentou qualquer proposta concreta para, pelo menos, começar a dialogar com este grande eleitor.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 14/02/1982_