Para o PMDB do Nordeste, sua participação no futuro Ministério e na administração federal é questão de quase sobrevivência. Assim pensam vários de seus líderes mais representativos. O que é explicável; ao contrário do PMDB do Sul e Centro-Sul, aqui por cima, o partido não detém nenhum governo estadual. E tudo do PDS. Se o PDS, além de controlar as máquinas estaduais, vier a comandar a máquina federal também, o PMDB vai se ver em maus lençóis. E o pior, diz um influente político do PMDB de Pernambuco, os governadores do PDS estão aumentando a cada dia a pressão sobre Tancredo Neves no sentido de serem eles os beneficiados com os ministérios e os órgãos federais mais diretamente vinculados à região. O que é explicável também. Posto que a candidatura Tancredo Neves tem sua vitória assegurada a partir do apoio destes governadores. Que não o terão dado para verem colocados nos órgãos federais de que dependem, justamente seus opositores locais.

Alegam ainda os peemedebistas, que até agora os maiores beneficiários da Aliança Democrática foram os governadores do PDS. Na medida em que em 1984, a questão nacional se sobrepôs a questão local. Obscureceu a oposição local e os governadores faturaram. O exemplo paradigmatico é Roberto Magalhães
que a cada dia conquista maior apoio no éleitorado urbano, e rural também, das oposições. Sem participação no governo federal, sem acesso nos governos estaduais, nem nas Prefeituras das capitais, só restaria ao PMDB ou um crescente esvaziamento, ou então, uma oposição radical e radicalizada a todos os governos indiscriminadamente. O que seria prejudicial para a consolidação de uma transição sem traumas.

Este é um problema real, tanto do PMDB quanto do PDS do Nordeste. Real e local. Não deverá no entanto ter uma solução localizada. A visão de conjunto da transição e do programa do governo, dentro da reforma insitucional da Nova República, anunciada por Tancredo Neves, deverá balizar as soluções. Que podem ser várias e inovativas, como por exemplo, as eleições diretas já para Prefeituras das capitais, ampla reformulação do Ministério dos Transportes, do Interior e seus órgãos, a natureza do pacto político a nivel do Legislativo, as futuras coligações partidárias que se definiam etc…

(Joaquim Falcão)

_11/12/1984_