O PDS de Pernambuco deverá tomar proximamente duas decisões importantes. A primeira parece pacífica. É confirmar os seis delegados ao Colégio Eleitoral. Reunidos com Roberto Magalhães, os deputados estaduais confirmaram que reelegerão os atuais escolhidos, todos pró-Tancredo Neves. A segunda não parece tão pacífica assim. Trata-se de escolher o próximo presidente da Assembléia Legislativa, que poderá ser inclusive futuro governador. Pelo menos, interinamente. Posto que Magalhães deverá renunciar para concorrer ao Senado em 86. E o vice-governador, Gustavo Krause, deverá seguir também o mesmo caminho.

Já existe um candidato: é o tradicional deputado Oswaldo Rabelo (PDS) vinculado a Costa Cavalcanti (Italipu) e que apóia o candidato Paulo Maluf, Rabelo afirmou contar com 22 dos 28 votos do PDS. Se assim for, setores do PMDB começam a se opor fortemente a esta candidatura. O deputado Sérgio Longman (PMDB) alerta para o fato de que a

Allança Democrática tem a maioria da Assembléia. Donde, o presidente da Assembléia deverá ser pró-Tancredo e não pró-Maluf. E lançou como candidato o deputado Ferreira Lima (PMDB).

Até agora Magalhães tem afirmado que esta será uma decisão interna da bancada. Não pretende se envolver. O que é pouco provável. Na história legislativa de Pernambuco o governador interfere, e interfere em muito na escolha do presidente da segunda legislatura. Na verdade esta escolha testará os limites da Aliança Democrática na política estadual. Para PDS é PMDB. Até onde o PDS pró-Tancredo é vinculado às suas bases tradicionais? Até onde o PMDB pode aceitar uma decisão estadual pró-Maluf para não quebrar o atual clima de entendimento local?

(Joaquim Falcão)

_14/10/1984_