Daqui pra frente, importa é conquistar votos no Colégio Eleitoral. Os caminhos da conquista são múltiplos. Cada candidato percorrerá o seu. () que explicitará mais ainda as diferenças entre Tancredo Neves e Paulo Maluf permitirá, desde logo, vislumbrar o Brasil de 1985.
O caminho de Paulo Maluf já está nítido. Comporta pelo menos três passos principais. Primeiro, envolver o mais rápido e profundamente possível o presidente Figueiredo na campanha E com Figueiredo, envolver o Planalto, a Seplan e sobretudo os militares. Uma das consequências deste envolvimento obrigará Maluf a deixar de ser renovação (como prometeu até agora), e ser apenas continuísmo. Maluf vai andreazzar. Segundo, intensificar o que já foi amenamente dominado de “aliciamento” de votos. Tarefa cada vez mais hercúlea. Trata-se, ao mesmo tempo, de garantir os votos já comprometidos. De negociar frontalmente com os integrantes da Frente Liberal. De avançar sutilmente nas hostes do PTB e do próprio PMDB. Na medida porém em que o aliciamento progredir, Maluf enfrentará maiores restrições nos meios empresariais e militares mais responsáveis. Ambos não mais dispostos a avalizar esta maneira de gerir a República. Sobretudo se Maluf envolver a administração Figueiredo. Po- exemplo, envolver a Petrobrás depois da saída de Ueki. Pois este ainda é um governo militar. Finalmente, ao mesmo tempo em que será cauteloso nos
contatos mais livres e espontâneos com as principais lideranças da sociedade civil e com o povo nas praças, Maluf não se cansará de acenar com propostas suficientemente vagas e saborosas, como casa, terra e emprego para todos.
O caminho de Tancredo Neves já foi sintetizado pelo deputado Fernando Lira, do PMDB de Pernambuco e tancredista de primeira água. O importante, diz o deputado, é consolidar a legitimidade popular e a objetividade necessária para ganhar no Colégio Eleitoral. Daí porque Tancredo Neves percorrerá dois caminhos principais. Por um lado, deverá intensificar contatos com a sociedade civil, seja em reuniões, seja em comícios. Para identificar mais e mais sua candidatura com os anseios sociais. Quer dizer, com os anseios do eleitorado momentaneamente mudo, mas futuramente indispensável. Por outro, deverá fortalecer a Frente Liberal, negociar com o PTB e consolidar, nos contatos pessoais, seus votos do PMDB. Para os tancredistas, o político que der um voto a descoberto, via Embratel, para Maluf, correrá no mínimo o risco de ter de mudar de profissão. A legitimidade de Tancredo Neves será a ilegítimidade de Paulo Maluf.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 14/08/1984_