Como em todo o País, em Pernambuco também tem aumentado o número de roubos, furtos e outras formas de violência urbana como em todo o País, as causas são as mesmas Não apenas a intensificação da crise social e do desemprego urbano. Não apenas o exemplo deteriorante de escândalos financeiros oficialmente impunes. Mas também a morosidade do Judiciário que leva os cidadãos à descrença e desconfiança na eficácia de seus juízes. E, sobretudo, também à controversa e problemática atuação da polícia estadual e seus órgãos de segurança.
Ha pouco, o terceiro secretário de Segurança do governo Roberto Magalhães, Carlos Veras, veio a público informar que nos últimos sessenta dias, o combate à violência alcançou algumas vitórias. Em março houve apenas 87 queixas. O número de assaltos aos bancos e aos ônibus e táxis diminuiu também. Tal redução foi possível graças à blitz que prendeu centenas de criminosos antes à solta, e aos novos métodos operacionais implementados, acrescidos da determinação política de combater o crime.
Ao lado destes números, moradores de algumas áreas da região metropolitana queixam-se exatamente do contrário: a violência tem
aumentado. É o caso de Olinda. Nestes últimos sessenta dias, Olinda viu acrescer ao colidiano de casas arrombadas e de assaltantes impunes, casos de estupro de mulheres. Moradores da comunidade ou pessoas que vêm a Olinda por turismo e lazer. Impunemente violentadas e agredidas.
As vítimas alegam que pouco adianta dar queixa à polícia. Por vários motivos. Primeiro, pelo desaparelhamento da própria polícia. Incapaz de proteger o cidadão queixoso contra a eventual retaliação do criminoso não punido. A delegacia local, muitas noites não conta com uma viatura sequer. Em caso de necessidade tem de vir do Recife. Segundo, pela atitude de alguns policiais que confundem jovens, artistas e intelectuais, com marginais latentes. Finalmente, pela própria burocratização dos inquéritos, estimulando muito mais que nada se apure do que a efetiva punição do criminoso.
A determinação política da secretária da Segurança de combater o crime precisa chegar a Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade também.
(Joaquim Falcão)
_12/06/1984_