Está nas mãos dos deputados e senadores do PDS a aprovação ou rejeição da emenda Dante de Oliveira. É uma responsabilidade grave e histórica. As consequências atingirão não apenas o País, mas eventualmente a própria carreira política destes congressistas. Por um lado, a efetiva redemocratização que todos pretendem poderá ou não amanhã ter se consolidado. Por outro, de amanhã em diante, haverá apenas dois tipos de políticos no Brasil: os que votaram a favor e os que votaram contra. Ou pior? Os que se ausentaram. A ausência neste caso significa claramente o divórcio entre o deputado e o senador do PDS e seu eleitorado. Rompe-se a fidelidade entre representante e representado. A ausência é o artifício encontrado para não votar como os próprios eleitores do PDS gostariam que seus deputados e senadores votassem.

Pesquisa realizada pela Associação dos Sociólogos de Pernambuco é bastante esclarecedora. Abrange o eleitorado do Recife, Olinda e Jaboatão, os maiores eleitorados do Estado. Apenas 11,0% querem eleições indiretas. E mais ainda. Perguntados sobre se tinham consciência de que em novembro de 1982 estavam votando no Colégio Eleitoral que elegeria o próximo presidente da República, apenas 28,0% dos eleitores do PDS afirmaram que sim, contra

27,9% dos eleitores do PMDB. Em compensação cerca de 67,7% dos eleitores do PDS e 68,9% dos do PMDB afirmaram que não sabiam que estavam elegendo o Colégio Eleitoral. O que retira qualquer pretensão de legitimidade da argumentação oficial de que o eleitor sabia o que estava fazendo.

A responsabilidade do PDS é tanto mais grave quanto outros dados da pesquisa demonstram que seus próprios eleitores acreditam que a melhoria da situação do País depende, sobretudo, das atitudes do governo (43,9%) e em seguida da atitude dos partidos políticos (17,7%). Esta confiança no partido que é expressiva no PDS é quase inexistente no PMDB. Só 9% dos eleitores do PMDB acreditam que os partidos podem melhorar o País. Resta saber se o eleitor continuará confiando no partido que se ausenta para não representá-lo.

Está em jogo amanhã a sorte da emenda Dante de Oliveira, a consolidação ou não do PDS como um partido eleitoralmente poderoso e representativo e, eventualmente, o futuro eleitoral dos próprios deputados e, senadores.

(Joaquim Falcão)

_Recife, 24/04/1984_