Em 1982, mesmo perdendo o governo do Estado, o PMDB de Pernambuco ganhou folgadamente no Recife. Obteve cerca de 65% dos votos. Elegeu 22 dos 33 vereadores da Câmara Municipal. Não é pois por menos que, mal o Planalto acena com eleições diretas para as Prefeituras de capitais, o PMDB se agita. Foi o que aconteceu nestes dias. Os correligionários de Miguel Arraes, Marcos Freire e Jarbas Vasconcelos lançaram as candidaturas de seus respectivos líderes. De modo que hoje, todos os três já são candidatos em potencial à Prefeitura do Recife. O que causou, de imediato, razoável mal-estar nas bases partidárias, pois, por um lado, teme-se que tal precipitação amorteça a mobilização pelas diretas. Por outro, os eleitores peemedebistas mal safram da ressaca provocada pela perda do governo do Estado em 1982. E justamente apontam como um dos principais fatores da derrota a permanente e paralisante disputa entre Arraes, Marcos e Jarbas. Esta disputa corre o risco de ser agora reinaugurada.
Na verdade, disputa-se menos a Prefeitura do Recife do que a candidatura ao governo do Estado de 1986. Quem for prefeito do Recife em 1984 ou 1985, só não sairá candidato a governador em 1986 se não
quiser. E os três parecem querer. Legit-
mamente, aliás.
Ainda que a movimentação esteja em fase muito preliminar, qualquer observador notará por exemplo que para Arraes, a Prefeitura é uma disputa vital. Pois evita correr o risco de não sair candidato em 1986. Arraes não tem o controle da máquina partidária. Tem dois sérios candidatos pela frente. E não pode pensar em adiar sua pretensão para 1990. O risco é grande. Não pode deixar passar a oportunidade. Daí porque, ou Arraes se candidata, e ganha, ou apóia um outro nome em troca de um decidido e definitivo apoio à sua candidatura em 1986.
Muita água vai rolar. Não se sabe ainda a data e as regras da eleição. O que não impede que Jarbas, Marcos e Arraes venham a ser candidatos já. E que outros políticos do PMDB comecem a se preparar para, no caso do impasse triplo, disputarem a candidatura do consenso. Como o deputado Sérgio Guerra ou o vereador Pedro Eurico, por exemplo.
(Joaquim Falcão)
_Recife, 03/04/1984_