Diante de Aureliano, Maluf e Andrenzza, as possibilidades presidenciais de Marco Maciel são aparentemente escassas. É verdade, Mas esta avaliação só é verdadeira se partirmos de dois pressupostos básicos. Primeiro: haverá eleições indiretas e não haverá impasses na Convenção do PDS. Segundo: Marco Maciel disputa apenas a Presidência da República. Ora, a candidatura Maciel, independente de suas boas razões, provavelmente não parte apenas destes dois pressupostos. Parte de diversos outros também. É óbvio.
Antes de mais nada, não se sabe se as eleições serão diretas ou indiretas. Se forem indiretas, com os votos que conquistar até lá, Maciel chega na Convenção ou para disputar para valer ou para negociar com os candidatos mais fortes. Isto para não falar na possibilidade do impasse entre os grandes, e Maciel surgir como o terceiro que une o partido. Qualquer desses resultados lhe será conveniente.
Se as eleições forem diretas, Maclel candidato terá em 1984 frequentado com vantagens televisão, rádio e jornal. Como frequenta agora
esta página de opinião aqui da ‘Folha’. Terá aumentado sua popularidade nacional. Terá influenciado a pauta do debate político. Terá reforçado sua candidatura a vice-presidente. Já existe inclusive quem considere a chapa Aureliano e Maciel imbatível nas diretas. Sobretudo porque as oposições estarão fragmentadas em três candidaturas: Ulisses, Brizola e Lula.
Considere-se finalmente que Maciel é político extremamente jovem e extremamente cauteloso. A cautela lhe faz sempre definir suas estratégias dentro da máxima: ganhe-se, mesmo quando se perca. No caso, ganhe-se uma vice-presidência, um ministério, uma liderança nacional mesmo quando se perca a Presidência. A juventude lhe permite perder a candidatura presidencial de 84 e ganhar a de 90. Ou a de 96. Ou a de 2002. De resto, como diz o provérbio popular: Cobra que não anda, não engole sapo
(Joaquim Falcão)
_12/01/1984_