Um político do PDS costumava dizer que quem mantinha a tranquilidade de Pernambuco durante o governo de Marco Maciel, era Marco Maciel e… dom Hélder Câmara, Hoje, um outro político, também do PDS, diz que Pernambuco ainda não explodiu por causa de Roberto Magalhães e… Miguel Arraes. De fato, Nos últimos anos, as lideranças pernambucanas têm dado mostras de grande paciência e maturidade política, Diante da seca, do desemprego, da violência policial impune, da corrupção quase oficializada e sobretudo diante da fome, os principais líderes locais não têm colocado lenha na fogueira. Não é por menos que nesta semana Roberto Magalhães considerou a convivência democrática entre governo e oposições, ponto marcante no ano que passou em Pernambuco. E, foi.

Os que esperavam a aceleração da radicalização política com a entrada em cena de Roberto Magalhães e Miguel Arraes, surpreenderam-se. Ambos, cada um a seu modo, tentaram manter suas coerências ideológicas e suas alianças político-sociais sem entornar o caldo. O caldo do caldeirão fervente da crise social aguda. Atitude partilhada por grande número de políticos pernambucanos. Na Assembléia Legislativa. Joel de Holanda como
política: ao mesmo tempo combativo e construtivo. Na prefeitura do Recife, o prefeito Joaquim Francisco, com habilidade neopessedista, conviveu com facilidade com o moderado presidente da Câmara de Vereadores, Liberato Costa Júnior, do PMDB. Ao mesmo tempo em que combateram bons combates, o prefeito e os jovens vereadores da esquerda pernambucana; Carlos Eduardo, Pedro Eurico de Barros e Mauro F. Lima.

A bem da verdade, porém, a tranquilidade de Pernambuco não se deve apenas à convivência democrática entre o PDS e PMDB, Talvez nem mesmo principalmente, (No fundo, maturidade democrática deveria ser matéria eliminatória do vestibular para político profissional. Um dia será, provavelmente). A principal evidência de maturidade veio do povo pernambucano. Que diante da política econômica de recessão, por todos os títulos ineficaz, e por todas as consequências sociais, perversa, demonstrou paciência infinita. Teve tudo para protestar, e não protestou. Teve tudo para se revoltar, e não se revoltou. É um povo politicamente maduro.

[ASSINATURA NÃO DETECTADA]

_01/01/1984_