Já se passaram quase cinco meses das eleições de novembro, e as oposições pernambucanas ainda enfrentam dificuldades para definir novos rumos. O PT e o PDT sofrem reflexos de seus problemas nacionais. O PDT a braços com o governo do Rio, um governo maior do que o partido. O PT desgastado pelo fraco desempenho nacional. Em Pernambuco, não elegeu nenhum candidato. Nem consolidou a base partidária tão intensamente como pretendia e necessitava. Resta o PMDB, que sempre teve desempenho independente, mas que até hoje não tem bem definido o que fazer e como fazer, depois da vitória do PDS.
O momento atual parece ser o da consolidação das novas posições individuais. Sobretudo dos principais líderes do partido, Marcos Freire, fazendo a ponte São Paulo-Recife, deverá ser candidato a substituir o ex-deputado Fernando Coelho na presidência local do partido, no final do ano. Miguel Arraes e Jarbas Vasconcelos assumem suas cadeiras de deputado em Brasília, Jarbas, na ponte Brasília-Interior de Pernambuco, procura também organizar e expandir suas bases partidárias. Fernando Lyra, dividindo-se entre os encargos da secretaria da Câmara e as conversas com Tancredo Neves. Tais atuações individuais são importantes, é claro. Mas sozinhas não fazem um partido. Mesmo um partido-frente.
Até então o PMDB tem sido um partido de oposição institucional e arregimentação eleitoral. O rumo da oposição institucional deverá ser retomado com o engajamento na campanha das eleições diretas para a Presidência da República. O rumo da arregimentação eleitoral, este sim. precisa ser redefinido. A situação é outra. O PMDB não é mais apenas um partido fora do governo. Conta agora com pelo menos 35 novos prefeitos. E se não definir uma pauta mínima de prioridades sociais, e de oposição aos governos estaduais e federal, vai ser difícil ao eleitor distinguir a administração do PMDB da do PDS. A história recente mostra que reunir lideranças, por mais competentes que sejam, não é suficiente para ganhar eleições. O eleitor quer também uma postiva mensagem ideológica, uma nítida estratégia política, e quadros partidários representativos das bases. Inclusive do Agreste e do Sertão.
(Joaquim Falcão)