O Brasil tem hoje duas economias: a economia oficial e a economia paralela. A economia oficial é toda regulada pelo Estado. Por decretos, resoluções e portarias. Está cheia de instituições como Banco Central, Banco Nacional da Habitação, secretarias de controle de estatais, etc. É economia burocrática e autocrática, de paletó e gravata. Vai a Nova York, Washington e Paris. Assina os acordos com o FMI e a cada dia que passa fala mais inglês.
A outra é a economia paralela. Bem menor e mais frágil, é certo, mas é a que se expande mais velozmente. Cresce mais. De forma difusa e incontrolada. É a economia praticada por todos: empresários investidores, consumidores e trabalhadores. É a economia, por exemplo, que determina o câmbio negro do dólar. Cría milhares de formas de empréstimos longe dos bancos: empréstimo de vizinho para vizinho, de colega de repartição para colega, de agiota para empresa sem crédito, etc. Cría empresas de “factoring” sem regulamentação. Diante da incapacidade do BNH resolver o problema habitacional, estimula invasões urbanas, onde se adquirem terrenos sem dinheiro. É a economia que rege o crescente subemprego, ou os empregos do setor informal, como dizem os economistas. Não tem índices oficiais e nem correção monetária.
É muito mais determinada pelo livre jogo de mercado do capitalismo selvagem, do que pelas pretensões regulamentadoras do economista burocrata, de plantão em Brasília ou em Washington. Uma vez, o professor e jornalista José Eduardo Faria alertou o governo de que o ABC paulista era o País real, e Brasília apenas o País formal. Este mesmo fenômeno da política ocorre agora na economia. As quimeras de seis bilhões de dólares de superávit, os protocolos do FMI e a ladainha de os-juros-têm-que-cair pertencem à economia oficial e formal de Brasília. A do Brasil é cada vez mais a outra: a economia paralela.
A situação atual é de impasse. A economia oficial não controla a economia real paralela. Por isso dificilmente cumprirá os compromissos internacionais assumidos. E nem a economia paralela consegue mudar a política econômica do governo, daí viver sempre como marginal. Trata-se de impasse destrutivo das estruturas econômicas brasileiras.
J. F.