Foi o Brizola, outro dia, quem disse: em política não há vácuo. Quer dizer, quando um sai, outro entra. E entra logo, imediatamente. É mais ou menos o que ocorre em Pernambuco. As oposições, seja pelo de-sânimo natural causado pela derrota, seja pela desarticulação no assumir novos encargos (35 novas prefelturas, a Câmara dos Vereadores do Recife e acréscimos importantes nas bancadas estaduais e federais), não estão, com raras exceções, fazendo oposição. Produziu-se um vácuo político.
Quem está querendo ocupá-lo é o PDS, através do vice-governador Gustavo Krause. Não é de hoje esta estratégia de Krause em combater e incomodar as oposições em seu próprio terreno, disputando suas próprias bases. Vem de longe. Vem de seu tempo como prefeito do Recife. Quando buscou nos planos de Arraes e Pelópidas da Silvelra inspiração para sua administração. Quando disputou o voto do eleitor dos morros do Recife e nas palestras para a classe média intelectualizada, sem menor cerimônia, aproximou sua argumentação das idéias de um Gramsci, por exemplo. Com isto ajudou a vitória do PDS.
E é hoje o candidato natural à sucessão de Roberto Magalhães, tendo o comando do governo na região metropolitana, além da Secretaria de Habitação e da Fidem. Na cerimônia de posse, quebrando o protocolo, Krause conseguiu espaço para fazer também seu discurso. As palavras que então caíram, falavam do compromisso dos políticos em resgatarem duas dívidas (além da externa, é claro): a dívida social e a dívida democrática, Mas foi mais além. Advertiu que não se resgatam tals dívidas através de um pacto de elites. Ora, isto é puro PT. O combate que o PT faz à nova Constituinte, por exemplo, baseia-se justamente no fato de que no Brasil as constituintes representam um pacto das elites contra os trabalhadores.
Diante da estratégia de Krause, as oposições têm reagido com uma boa dose de udenismo. Acusam Krause de incoerência política. De praticar um populismo mistificador. O que é secundário, pois não impede que ele continue ocupando um espaço aqui e outro acolá.
J. F.