A indicação do pernambucano Marcos Freire para compor o primeiro escalão da equipe de Franco Montoro, como assessor para assuntos nacionais, é, não há dúvida, uma decisão ousada. Pode provocar dois tipos de consideração.
A primeira é eminentemente local. Alguns paulistas pretendentes ao cargo podem estar-se sentindo preteridos. Trata-se de um sentimento etnocêntrico. Os caríocas, por exemplo, há décadas que já se acostumaram a ser governados por não-cariocas. Agora mesmo nenhum carloca vai contar quantos não-cariocas íntegram a equipe do gaúcho Leonel Brizola. No Nordeste, há décadas que os governadores de lá têm o hábito de convidar técnicos do sul do Pals para compor um seus secretaríamos. Mas, enfim, cada província prática o etnocentrismo à sua maneira.
A outra consideração, porém, é de âmbito nacional. Daqui para frente, seja pela natureza nacional da crise econômica ou da sucessão presidencial, seja mesmo pela exigência dos partidos e grupos políticos se afirmarem nacionalmente, fazer política é apenas fazer política nacional. Mesmo quando se faz política estadual, sobretudo em grande Estado como São Paulo, também se faz política nacional.
Tancredo Neves e Leonel Brizola já perceberam isto. Aureliano Chaves e Marco Maciel também. Neste jogo, o Nordeste, com seus votos no Colégio Eleitoral ou com seus interesses econômicos, vai pesar. Aí está o movimento dos governadores do Nordeste, tendo à frente de Roberto Magalhães, de Pernambuco, e Agripino Maia, do Rio Grande do Norte. Lá o PMDB não tem governador eleito. Tem apenas deputado e senadores. Seria difícil para Montoro conseguir um para ajudá-lo em São Paulo.
A opção por Freire representa a escolha de um nome já testado nacionalmente como líder das oposições no Senado, que vai ajudar a cunhar uma integração nacional a partir do fortalecimento da ala moderada do PMDB.
J. F.