É compreensível que as autoridades acreditem nas medidas que estão tomando: vão retirar o Brasil do atoleiro econômico. Mas é compreensível também que nem todos acreditem. Os banqueiros americanos, por exemplo, não escondem a informação. Pela proposta do Banco Central, se os quatro projetos agora negociados dessem certo, em julho o Páis precisaria de mais 1,5 bilhões de dólares. Como alguns pequenos e médios bancos já não participaram destes empréstimos de curto prazo, o rombo previsto agora é de 3 a 4 bilhões de dólares.

Mesmo assim em sua fala à Nação, com certeza com base na Seplan, o Presidente anunciou que já se vislumbravam sinais positivos no horizonte. Fruto provavelmente da esperada recuperação da economia norte-americana a estimular nossas exportações. Mas até chegar lá, como é que fica? Como o País vai enfrentar o mês de julho? Por reconhecerem tais dificuldades, nomes considerados responsáveis pelo governo e pelas oposições, como o senador Saturnino Braga, vislumbram outros sinais no horizonte: vislumbram a moratória.

O País não poderá sair do atoleiro se as autoridades econômicas não levarem a sério o debate econômico, e informarem os brasileiros também e tanto quanto informam os banqueiros estrangeiros. E se não desistirem de transformar o debate numa guerra entre, de um lado, os que levam boas prévisões inúteis ao Planalto e, de outro, os que por discordarem são pessimistas e provocadores. Quem está provocando as autoridades econômicas não é ninguém não. São apenas os fatos econômicos.

J. F.