Aparentemente não dá para explicar. Se todo mundo é contra a maxidesvalorização, por que ela ocorre? Se todo mundo é contra a política econômica do governo, por que ela se sustenta? Que pals é este que tem um governo que contraria as regras mínimas do bom senso político? Um governo que se sustenta não pela capacidade em conseguir apoio para suas políticas, mas justamente pelo contrário. Pela capacidade de agravar permanentemente a insatisfação dos trabalhadores e empresários, militares e civis, governadores e políticos da oposição ou da própria situação.

Ou esta série de medidas antinacionais é o começo de um suicídio político, por parte, se não do regime, pelo menos do governo? Se não do governo, pelo menos dos seus ministros da área econômica. Ou então, nem todo mundo é contra a maxidesvalorização. Tem gente que é a favor. E são estes os que em última instância influenciam e determinam a política do governo.

Quem não influencia, nem controla, a política econômica do Executivo nós todos já sabemos. É o Legislativo, encurralado entre o decurso de prazo e a delegação de poderes com que nestes últimos anos presenteou o Executivo. É o Judiciário, encurralado pela concepção legalista do Direto e por sua administração ineficiente, demorada e de-satualizada. Mas são também os trabalhadores, encurralados por uma lei de greve autoritária que proíbe a greve, pela desarticulação de seus sindicatos e pelo fantasma do desemprego. Como são também os empresários, encurralados pela dependência aos bancos oficiais e pelo mau humor do maior comprador de seus produtos e serviços; o próprio governo. Dal porque a política econômica do governo pode ter um desprezo olímpico para com qualquer um destes.

A quem Interessa então a máxi? Certamente não aos militares. Como todos os demais cidadãos brasileiros, também estão sendo atingidos por esta série de decisões inúteis da política econômica do governo. Inúteis porque nunca alcançam os objetivos que as próprias autoridades dizem que vão alcançar. Foi San Thlago Dantas que, na década de cinquenta, definiu a colocação social dos militares: são membros da classe média brasileira. Sobretudo da classe média urbana. Enquanto classe média, todos estão agora com seus salários reduzidos. Com seus patrimônios diminuídos.

Que os banqueiros estrangeiros lucram com a máxi, todos também já sabemos. Mas eles estão na deles. Pressionam os devedores para conseguir o máximo (ou a máxi). O que não está na do Brasil, nem na do brasileiro, é uma política econômica que se sustenta pelo apoio que recebe dos interesses estrangeiros e pela paralisia política dos brasileiros.

Pela paralisia que separou as autoridades econômica dos trabalhadores e empresários, dos civis e militares, das oposições e do próprio governo. Simbolicamente a parallisa do governo está expressa no fato de que nem a Presidência da República, nem os governadores, senadores e deputados do PDS, nem os demais ministros do governo vieram a público justificar as medidas solitárias e inútels da política econômica.

J. F.