Até agora, 1983 foi cozinhado em fogo brando. Daqui para frente é que o ano começa realmente. Val ser um ano diferente, pelo menos no que diz respeito aos desafios que o governo federal enfrentará para governar de fato este País. O Planalto em geral, e a Presidência da República em particular, vão lidar com duas situações nunca dantes experimentadas nestes dezoito anos.

Primeiro é a submissão formal da política econômica do governo n um poder maior: os credores internacionais. Até então, com Roberto Campos, Simonsen ou Delfim, a política econômica do Executivo conseguiu vencer as pressões do Legislativo, do Judiciário, dos governadores e da maioria da população brasileira. Foi uma vitória inglória, Alguns mais pessimistas acham mesmo que o governo não tem mais espaço, para tomar decisões nesta área, de tal modo ela está ocupada pelo FMI. É como se o Brasil não precisasse mais de governo para a área econômica. Necessita apenas de um bom e confiável gerente para alcançar as metas definidas alhures.

A segunda situação é a possibilidade de a sucessão presidencial não ser mais definida no âmbito restrito das decisões de Estado-Malor. A influência dos clivis, dos governadores, inclusive de oposição, e do Legislativo, já se Tazem sentir. Os cento e Tânicos votos que Maluf parece deter no Congresso, e os outros tantos da dobradiña “Tancredo Aureliano vão contar e influenciar. Vai ser difícil o Planalto controlar o processo sucessório e o sucessor.

Em outras palavras, assim como a política econômica acabou fugindo das mãos da Seplan, a sucessão pode estar fugindo das mãos do Planalto. Daf inclusive as sugestões mais dispares sobre o comportamento da Presidência, Existem desde os que querem que o Presidente passe boa parte do ano viajando pelo Exterior, até os que sugerem um pronunciamento nacional do Legislativo ou a reforma ministerial,

Evidentemente que o Planalto não poderá ignorar esta nova situação político-econômica. Que só será uma limitação ao poder central se o Planalto insistire em tratar 1983 como se estivéssemos nos anos sessenta ou nos anos setenta. Não estamos mais. Estamos na década de oitenta, que para o poder central poderá ter duas novas características fundamentais. O poder central deverá consolidar-se por sua capacidade de negociar cada vez mais de-mocraticamente com cada vez maior número de brasileiros. Será uma época não de troca de ministros, ou menos de táticas, políticas, muitas uma época de troca e redefinição das instituições políticas e econômicas da Federação brasileira.

J. F.