Foi um sucesso o “show” do Ibirapuera dps.429 anos de São Paulo. Sucesso que destruje parcialmente a praça da Paz, importante área verde de São Paulo. Têm sido sucesso as primeiras festas do Carnaval de Salvador. Sucesso que tem aumentado a violência e os assaltos a turistas. O Carnaval de Olinda arrisca-se a seguir igual caminho. Será um sucesso depredatório para a cidade para os turistas.

Duas razões fariam com que o sucesso fosse por todos bem-vindo. Primeiro, se ajudasse a precária situação financeira do município. Não ajudará. A prefeltura terá prejuízo. O eventual pequeno acréscimo de receita não será suficiente para restaurar ruas e calçadas, a praça do Jacaré e a praça da Pregulça. Hoje já transformadas em imensos bares anti-higilênicos, onde a mesma água e a mesma bacia que lavará o copo do folião às 10 horas da manhã, lavará às 10 da noite. Não será suficiente para limpar as ruas e rielas que serão transformadas em mictórios, banheiros que não existem.

À segunda razão seria proporcionar o encontro do turista com a cultura carnavalesca especial de Olinda. O que dificilmente ocorrerá. Havia uma proporção entre o tamanho das ruas estreitas e os blocos e os clubes — Elefantes, Pitombeira, Eu Acho é Pouco, Vassourinhas, Mulher do Melo-dla, etc — que caracterizam o Carnaval. Não há mais. No ano passado o famoso Homem da Mela-noite não pôde sair. Não havia espaço para passar. As ruas estavam híper, super-ocupadas pela multidão.

As músicas tocadas eram frevos e marchas de compositores locais como Cíldio Nigro, R. Leitão e outros. Não são mais. Tocam, agora, as boas músicas de Gal; Caetano, Elba Ramalho, Rita Lee, etc… Músicas antes tocadas por pequenas bandas, Instrumentalmente, são substituídas agora pelos alto-falantes eletrônicos, telipes e discos.

Não se trata porém de evitar o sucesso do Carnaval de Olinda. Mas não se transforma um carnaval comunitário em carnaval de multidões sem muito trabalho. Sem, por exemplo, uma divulgação nacional realista e responsável. Sem uma atuação de longo prazo dos órgãos públicos. A prefeltura de Olinda tem feito o que pode, mas pode pouco. A concentração dos impostos nos cofres federais deixa as prefelturas impotentes em casos como este.

Como está, com precárias condições de higiene e segurança, música eletrônica, os blocos e troças sem poderem sair folgadamente nas ruas, sambas e frevos do sul do País, o Carnaval de Olinda existe em qualquer esquina do Brasil.

J. F.