Todos os governadores eleitos em novembro, do PDS ou das oposições, tendem a submeter o nome dos novos prefeitos das capitais às novas Assembléias Estaduais, eleitas também em novembro. Exceto o governador Roberto Magalhães, que decidiu seguir outro curso. Solicitou ao atual governador, José Ramos, que convocasse extraordinariamente a Assembléia, que já encerrou seus trabalhos regulares, para apreciar a sua indicação de Joaquim Francisco para prefeito do Recife.

Este ato provocou diversas reações em Pernambuco, tanto no governo quanto nas oposições, não somente porque foge ao curso normal seguido em todo o Bfasil, mas porque é o primeiro ato político do novo governador, capaz de lançar luzes sobre novo estilo do Palácio das Princesas.

Do lado do governador, a convocação extraordinária é justificada por dois motivos. Primeiro, porque é legal. O governo está aí para aplicar as leis. Segundo, porque se ganha tempo. O novo prefeito começa logo a atuar; não espera até março.

Do lado das oposições argumenta-se que a convocação é inconstitucional, e também ilegítima. O novo prefeito não será aprovado pela Assembléia que já detém o apoio do voto popular. Quinze novos deputados do PMDB e oito do PDS não poderão votar. E quanto ao argumento do ganhar tempo e começar logo a trabalhar, as oposições são de opinião que nada impedirá ao prefeito indicado ir já definindo seus planos, e mesmo trabalhando. Por motivo simples: o atual prefeito, Jorge Cavalcanti, é do PDS, e tudo facilitaria. Só não começaria logo a trabalhar se a aprovação pela futura Assembléia fosse incerta. E aí estaria o nó da questão.

Na atual Assembléia o PDS tem confortável maioria de mais de 15 deputados. Na próxima, terá precária maioria de apenas mais 3 deputados. E como seguro morreu de velho, o governador teria preferido garantir o prefeito hoje, em vez de correr risco amanhã. O risco, no caso, não seria uma árdua negociação com as oposições. O PDS tem a maioria na Assembléia. Seria negociar com seu próprio partido. Negociação que incluiria não somente novo prefeito, mas também o novo secretariado.

É irrelevante saber se este primeiro ato político do Palácio das Princesas lança ou não um voto de desconfiança na futura bancada do PDS. Relevante é o resultado líquido deste ato. O poder de barganha dos futuros deputados, e de seus aliados deputados federais, sai reduzido. O governador fica mais livre para negociar o seu secretariado.

Não se pode, evidentemente, avaliar um estilo político por apenas um ato. De qualquer modo, o novo estilo do Palácio das Princesas parece caminhar entre negociação e aplicar a lei.

J. F.