Por algum tempo se dizia que os presidentes no Brasil não trocavam ministros por uma questão de princípio. E de princípio militar. Só acidentes de percurso trocavam os ministros. Agora se fala que vai haver troca de ministros ou para atender aos interesses de alguns líderes do PDS que não foram eleitos. ou por causa de fraco desempenho individual de um ou outro ministro. Não é bem assim. Não é o princípio militar que mantém os ministros. Nem os interesses pessoais que os fazem rodar. O problema é mais complexo. Nos governos Médici, Giselé até agora no governo Figueiredo, os ministros se mantiveram porque foram apoiados por setores sociais que o Presidente e o regime consideravam importantes. E é justamente por causa da crescente insatisfação destes setores, sobretudo com a administração econômico-financeirado governo, que a reforma ministerial é cada dia mais provável. A reforma ministerial é o caminho que o Presidente tem para recompor o apoio político ao seu governo.

Pelo menos três setores que sempre apolaram o governo não se cansam de demonstrar insatisfação e, como quem não quer, mas querendo, pressionar o mínistério. Os empresários de São Paulo e Rio de Janeiro são um destes setores. Antônio Ermírio, Rui Barreto, Cláudio Bardela falam em nome pessoal e em nome da classe. Assim, a submissão do governo junto aos bancos e banqueiros estoura na mão dos empresários. E não custa nada lembrar que Montoro e Brizola estão ávidos para capitalizar esta insatisfação. Outro setor é a comunidade financeira internacional. Os ingleses foram claros. Qualificaram a proposta dos ministros brasileiros como pressa “indecente”. Condenaram a estratégia de moratória velada. Diariamente chegam ao Planalto sinais de que a credibilidade da administração econômico-financeira do governo está em baixa. Aqui é lá fora. Finalmente, o terceiro setor é o dos políticos do PDS do Nordeste. A hora de cobrar a fatura do apoio do Nordeste do Planalto chegou.

É neste contexto que um nome vinculado à Flesp pode vir a integrar o novo ministério. Que nomes como Hélio Beltrão e Célio Borja (para ministro da Educação e Cultura) venham a ajudar o governo a reconquistar credibilidade. Que Marco Maciel, na Justiça, e Antônio Carlos Magalhães, em Minas e Energia, venham a tranquilizar o PDS nordestino. De resto, está claro que presidente nenhum troca seus ministros para agradar as oposições. Troca para agradar seus correligionários e os grupos do apóiam. Se além disto a troca facilitar o diálogo com as oposições, tendo em vista recuperar o prestígio internacional em crise do governo e a sucessão presidencial, então melhor ainda.

 

J.F.