As oposições precisam de um Projeto Nordeste

Artigo publicado no Blog do Noblat – 12.11.2014

O voto pró-Dilma do Nordeste e do Norte provocou reações, às vezes sectárias, para não dizer racistas, em alguns eleitores da oposição. Desde o “Nordestino não sabe votar”, até “São eleitores sem independência. Dependentes de bolsa família. Preguiçosos”. E por aí vamos.

A questão política, no entanto, é simples e é outra. O PSDB não tem projeto para o Nordeste. Não tem proposta de desenvolvimento. Sem o projeto, não tem votos. E, sem os votos do Nordeste e Norte, não tem como ganhar a eleição. Goste ou não. E mais. Se não o tiver logo, e trabalhá-lo nos próximos quatro anos, irá se lamentar outra vez.

O resultado de Pernambuco foi o que sempre foi. Eduardo Campos e Lula. Ganharam os dois. Nenhuma grande novidade. O eleitor tem suas preferências, suas fidelidades, independente da briga política dos partidos. Não se trata de um voto incoerente. Trata-se de um voto coerente com a história recente.

Lembro que, na década 90, a esquerda nordestina muito criticava o PT. Miguel Arraes inclusive. O Projeto do PT era para trabalhador sindicalizado do ABC paulista. E não para camponês nordestino. São situações políticas, econômicas e culturais diferentes. E tinham razão. O trabalhador industrial virou classe média ascendente. Mas o agricultor nordestino, não.

Tudo mudou, é verdade. Mas não a necessidade de um projeto para o Nordeste, que atualmente é suprido, e com sucesso, pelo Bolsa Família e pelo quase pleno emprego, mesmo que de qualidade e salários pequenos.

Melhor seria que as oposições dessem ouvidos a um importante líder empresarial do Rio de Janeiro. Que resumiu bem o que poderia ser um novo mundo político. Precisamos transformar o Nordeste numa missão nacional. Mas, para isto, precisamos de uma outra visão da geopolítica das oposições nacionais.