Chegamos no fim do mundo da corrupção?

Artigo publicado no Blog do Noblat em 27.11.2014

Será? Difícil saber. Por isso, sempre é bom comparar e entender o que ocorre aqui no Brasil com o que  ocorre no resto do mundo.

Por exemplo: segundo pesquisas mencionadas pelo Financial Times, entre 2009 e 2013, os 12 maiores bancos globais – não se inclui nenhum brasileiro – pagaram às autoridades monetárias europeias e americanas cerca de 105.4 bilhões de libras, ou seja, aproximadamente 420 bilhões de reais em multas por crimes financeiros. Em apenas 4 anos!

Mais ainda. Os mesmos bancos já fizeram provisões para multas futuras no valor de 61.23 bilhões de libras, ou quase 245 bilhões de reais.

Mais ainda, na penúltima quarta feira, as mesmas autoridades já multaram os seis maiores bancos em novos 4.3 bilhões de dólares, ou seja praticamente 11 bilhões de reais.

Essas multas por crimes financeiros referem-se a manipulações de venda de hipotecas, de taxas interbancárias e do índice Libor. Não tem governo envolvido.

É crime do mercado contra o mercado. É corrupção do mercado contra o mercado. Banco contra investidor, cliente, outros bancos, contra o mercado, enfim.

Desde 2008, estes crimes e multas parecem se multiplicar. O que, por um lado, pode significar que as autoridades estatais estão mais atentas e eficazes diante de práticas que existem e existiam.

Por outro, cria uma grande insegurança financeira global. Para que exista capitalismo construtivo, é preciso que exista uma competição bancária onde nenhum banco ultrapasse os limites do jogo.

Enquanto for financeiramente mais interessante para os infratores das regras cometer o crime, ser multado, mas continuar no mercado, não haverá a competição saudável necessária para os mercados e investimentos. Nem aqui, nem acolá.

Ou seja, crimes, corrupções, que são definidos diferentemente em cada país, além de questão moral, e constitucional, é, para muitos, apenas uma questão de cálculo sobre o retorno financeiro da ilegalidade.