Processar ex-presidentes ou autoridades políticas é a rotina do mundo

Artigo publicado no Blog do Noblat em 24.06.2015

Nenhum eleitor gosta que seu candidato a presidente vitorioso seja preso por ilegalidades. Nem qualquer cidadão que o presidente de seu país seja processado. Mas isto ocorre com mais frequência do que imaginamos.

Na França, Nicolas Sarkozy responde por tráfico de influência, corrupção ativa e violação de segredo de justiça. Jacques Chirac foi condenado por desvio de fundos públicos, abuso de confiança, e prevaricação. Na Alemanha, o ex-primeiro ministro Helmut Kohl foi acusado de receber doações ilegais para seu partido. Na Itália, Silvio Berlusconi foi processado por corrupção de magistrados, fraude fiscal, incitação à prostituição de menores e abuso de poder. Em Portugal, o ex-primeiro ministro José Sócrates está sendo processado por fraude fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.

Nos Estados Unidos, Richard Nixon foi obrigado a renunciar,por acobertar ações de espionagem contra seus adversários. Bill Clinton foi acusado de perjúrio e de obstrução da justiça. No México, o ex-presidente Carlos Salinas foi acusado de envolvimento em corrupção e narcotráfico. O atual Presidente Enrique Peña Nieto, enfrenta suspeitas de corrupção, após sua esposa comprar uma mansão de 7 milhões de dólares. Na Argentina, o vice-presidente Amado Boudou é suspeito de tráfico de influências, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.

Sem falar em autoridades menores. Annette Schavan, ministra da educação da Alemanha, renunciou após acusação de plágio de sua tese de doutorado. Jérôme Cahuzac, Ministro do Orçamento da França, renunciou após por manter conta secreta na Suíça. No Chile, Jorge Insunza, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, renunciou após acusação de corrupção. Na China, Liun Tienan, ex-diretor da agência de planejamento está na prisão perpétua por receber milhões de euros em subornos.

A lista é grande e sempre sempre renovada.

Semana passada por exemplo Elena, a irmã do Rei Felipe VI de Espanha perdeu o título de princesa real por fraude através da ONG que mantinha.

O que se deduz de tudo isto?

01. O poder é uma oportunidade de corrupção não importa sexo, nacionalidade, idade, raça, partido ou religião.

02. Cometer ilegalidades no poder não é destino, mas probabilidade previsível.

03. A família pode ser estímulo para a corrupção.

04. Em geral não se confundem a ilegalidade da autoridade com a inviabilidade do país.

05. O país sofre, mas não acaba nem as economias param, desenvolvidos ou emergentes.

06. Na democracia, com o tempo, estes conflitos se resolvem pacificamente no Judiciário e no Congresso.

07. Não é incomum protestos nas ruas e mídias sociais dos partidários das autoridades acusadas.

08. Nem são incomuns alegações ad terrorem de que se trata de conspiração política. Apenas é a evidência da fraqueza humana.

09. É comum lideranças, partidos de oposição ou grupos econômicos quererem tirar vantagem da situação.

10. Conviver com estas probabilidades previsíveis é indispensável aprendizagem permanente, educação moral e cívica na democracia.

11. Um país se distingue do outro não pela quantidade e qualidade das ilegalidades, mas por ter instituições de vigiar e punir.

12.Mas tudo só acaba bem se o caráter da política, de seu povo, de sua mídia e de seus magistrados, não forem pequenos.

13. E o caráter, pode sempre melhorar.

14.Ou piorar.

15.Mesmo porque como já disse Heráclito, o caráter do homem é seu destino. E de uma nação também.